sexta-feira, 14 de junho de 2013

O Menino e a Vela

Há pouco mais de 2 anos,tive a oporunidade de assistir a uma apresentação do excepcional mágico e palestrante Carlos Hilsdorf. Foi fantástica, e dentre as várias passagenns, uma em especial ficou na minha memória até hoje.Compartilho-a no link acima e sobre ela,farei um breve resumo.
Ele narra uma breve fábula sobre o encontro de um garoto com um velho guru,ambos com um mesmo objetivo:A busca pela sabedoria.

Eles passam a dialogar buscando explicações sobre os caminhos que levam até a sonhada estrada.Em alguns momentos,parece que o velho guru, muito mais experiente e vivivdo, está ensinando ao garoto como percorrê-la,mas para surpresa de todos,inclusive do guru,o garoto passa também a ensiná-lo e perguntá-lo sobre situações sobre as quais ele ainda não havia parado para pensar, e mostra ter percorrido e conhecer caminhos ainda não trilhados pelo sábio guru.

Ambos trocam experiências e, mesmo, com histórias de vida tão distintas chegam a algumas conclusões que parecem óbvias,mas que muitos de nós fazem questão de ignorar.Percebem que,acima de tudo,sabedoria exige paciência e persistência e o caminho para alcançá-la é árduo e cheio de obstáculos.mas,o que mais me tocou foi observar que os maiores obstáculos nessa estrada não são lançados por outros ou pela vida,mas por nós mesmos,que em muitos momentos os enxergamos, sem eles sequer existirem.Eles falam sobre fé,questionam-se sobre inquietações internas e compartilham da mesma dúvida:O que fazer para alcançar a tão sonhada sabedoria?Por fim,concluem que essa busca jamais cessará,pois sempre teremos algo a aprender, bem como algo a compartilhar,não importa se somos,em alguns momentos, o garoto ou,em outros, o velho guru,se conhecemos o percurso em demasia ou se o estamos percorrendo pela primeira vez.E que o grande legado que deixaremos é, no fundo,o quanto contribuímos para tornar esse caminho mais rico e o quanto compartilhamos as nossas experiências e histórias com aqueles que gostamos e sentimos apreço.

A mensagem que gostaria de deixar através desse vídeo e desse breve resumo é que independente do que represente a sabedoria  para cada um, de qual seja seu sonho,seu objetivo,se você se sente experiente como o guru ou inocente como o garoto, saiba que só você pode percorrer esse caminho, mas sempre o faça entendendo e respeitando o motivo pelo qual partiu e  sabendo o ponto onde pretende chegar.

Seja qual for o seu sonho,perisga-o com fé,força e acima de tudo respeito por aqueles que também estão nessa estrada,independente de que os seus motivos sejam distintos dos seus.
Assim,perceberemos que por mais que pareçamos sábio gurus,seremos sempre eternos aprendizes, carregando suas velas ,sonhos e buscando vencer cada um dos nossos obstáculos pela estrada, quer sejam eles reais ou imaginários.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Por que triathlon?

                                                              Por que Triathlon?

Diariamente e por uma grande diversidade de pessoas,sou questionado:”Claudinho,com tantos esportes e modalidades,academias e afins para buscar manter a forma,por que você escolheu justamente esse negócio de nadar,pedalar e depois correr ,com uma alto grau de exigência física,esforço e dedicação e ,na grande maioria das vezes, com pitadas e ,em outras , com elevado grau de sofrimento?”

Bom,antes de responder a pergunta acima ou para ajudar a respondê-la,permitam-me uma breve apresentação:Meu nome é Luiz Cláudio Jr., 34 anos,conhecido entre os amigos como Claudinho ou Cláudio,sou administrador e Representante Comercial,esposo da Alessandra,Pai do Enzo,alguém com uma vida normal,mas com alguns detalhes importantes que vão começar a me ajudar a esclarecer a dúvida dos curiosos:Fui obeso durante quase 30 anos-costumo brincar,dizendo que devo ter nascido com uns 80Kg,pois aos 15 anos já havia ultrapassado essa marca com folga, lutei toda a minha vida contra a balança e apesar de ter praticado alguns esportes na infância,tive uma adolescência e início de vida adulta praticamente toda sedentária.

Em suma:Cheguei em Maio/2010,com 31 anos de idade,aos 153Kg,com 1,68 de altura,com direito a todo o arsenal de comorbidades:Hipertenso,pré-diabético,apnéia do sono e com todos os exames clínicos alterados.Outro detalhe importante:Casado desde 2003,eu e minha esposa sonhávamos ser pais,foram quase 8 anos de tentativas,tratamentos,fertilizações e todos os sentimentos em cadeia:angústia,espera,frustração ,dúvida,mas nunca perdemos o mais essencial dos elementos em uma luta: A fé.

Aí,você que lê,olha para o texto e pergunta:”Que bacana,Claudinho,mas o que tem a ver com o triathlon?Ainda não entendi”.Então,vamos lá, vou tentar começar a responder a essas perguntas.
Primeiramente,deu para perceber que minha vida não foi lá “um mar de rosas e pétalas” e não me permitiu muitos atalhos, e assim também é o triathlon,que apesar de muitas vezes ter o mar no meio,passa muito,muito longe das rosas e atalho,só se for para sair e buscar o caminho de casa.O caminho que leva a glória da chegada sempre é árduo,doloroso e,muitas vezes, longo.

Seguindo o raciocínio,após reconhecer há 3 anos a derrota para mim mesmo e me submeter a cirurgia de redução de estômago ou gastroplastia, foi no triathlon e no esporte que encontrei uma nova razão e um novo estilo para minha vida, ou seja,nadar,pedalar e correr,para mim, não são apenas um esporte ou um fim,mas sim um meio que encontrei para renovar-me e repensar tudo que havia vivido até ali.

Aí você,já começando a entender,mas ainda não satisfeito pergunta:”E o filho, a família, por que você os citou na apresentação como um detalhe importante para responder a pergunta?”
Tenho que reconhecer que não foi apenas importante,mas foi o mais importante detalhe dessa trajetória de vida.Descobri que ia ser pai em dezembro/2011,após 7 tortuosos anos de espera,gravidez normal,logo dita pelo especialista ao ver o coraçãozinho batendo na Ultrassonografia,o maior milagre de Deus em nossas vidas.Ao ouvir aquilo,chorei e prometi em silêncio, retribuir esse milagre fazendo algo que eu julgass
e impossível.E,foi justamente ele, esse tal de triathlon,que me permitiu cumprir essa promessa ao lado da minha esposa e do meu filho em várias linhas e pórticos de chegada,todos desfrutados com imensa emoção e amor por esse esporte que me resgatou a vontade de viver.

Enfim,essas são minhas razões e motivos pessoais,mas cada um tem os seus ao se dispor a nadar,pedalar e correr em sequência,doendo ou não,ganhando ou não,sendo entendido ou não.O fato é que ainda não encontrei dentre os esportes,algo tão semelhante a vida quanto o triathlon.

Senão,permitam-me uma reflexão final:

Você entra no mar assim como na vida,sem saber ou entender muito o que lhe espera,apenas que terá de ser forte se quiser prosseguir e sobreviver, alguns dias ele se apresenta calmo e sereno,fazendo-lhe se sentir um profissional,em outros te dá uma surra tão grande, que lhe lembra as primeiras aulas de natação na pré-escola;Ao deixá-lo para trás, você descobre,que apesar de toda a força exercida,alguns já se foram e encontram-se a frente em outra parte do percurso,enquanto outros ainda travam suas batalhas nas águas.Nessa transição-Não podiam ter encontrado nome melhor para esse momento no triathlon e na vida-muitas vezes,você acha que não vai conseguir ir adiante ou está tão cansado,que não consegue achar coisa alguma,nem mesmo o capacete para subir na bike.De repente,quando você opta por não desistir e prosseguir,você percebe que pode ir além e continuar.Nesse momento,cruzamos com vários outros que trilham esse mesmo caminho e travam ou já travaram essa batalha.Uns passam por nós tão rápido,que mal vemos ou identificamos,da mesma forma que passamos por outros que mal nos vêem,alguns ficam por ali do nosso lado,outros um pouco atrás,outros mais adiante,uns competem,outros se divertem,todos se doam ao máximo.São inúmeras pessoas,histórias de vida e objetivos completamente distintos em um mesmo cenário,num mesmo caminho,no mesmo percurso.Nessa,quando imaginamos que está tudo acabado e pior do que está sobre a bike não pode ficar,vem mais uma mudança e com a bendita transição de novo no meio,só que dessa vez, ela vem impiedosa e lhe coloca literalmente com os pés no chão,como que lhe intimando sobre o quão forte você é, e aí,amigos,é Você,Deus e seus motivos para estar ali que te fazem seguir adiante ou não.
Várias são as reações:Uns correm o mais rápido que podem e fingem estar tudo bem,apesar de quase nunca estar,outros também correm,mas não procuram ou não conseguem esconder que dói muito trilhar aquele caminho,outros tentam correr,mas às vezes são forçados a caminhar,porém recusam-se a desistir e,alguns poucos sucumbem,uns por realmente não terem mais condições de prosseguir,outros por ainda não entenderem que, às vezes, a maior vitória é ir até o fim da jornada.

A grande maioria dos que,no início, adentraram ao mar sem saber o que lhes esperava e teimaram em não desistir,mesmo diante das dificuldades, mudanças e transições impostas no caminho,superando seus limites e rumando à linha de chegada, sentem-se realizados por a terem alcançado e seguido o seu caminho de forma única.E,alegram-se conseguindo ou não seus objetivos,por mais simples, estranho ou sem sentido que isso possa parecer aos olhos alheios que apenas os acompanham, ou por mais que somente eles os possam entender e mensurar.

O importante é que no fim os que primeiro chegam, aguardam outros que continuam a correr,que sucessivamente o fazem de pelotão em pelotão , ou porque não dizer de geração em geração, adentrando a estreita porta que leva à chegada ,onde todos,sem exceção, voltam a ser iguais e,com sorrisos ou lágrimas nos olhos, encontram consigo e desfrutam da realização de conhecer um pouco mais de si mesmo.Esse é o espetáculo do triathlon,que se assemelha a um outro maior e mais bonito:O espetáculo da vida!